Livros

Visitava a nova casa de um casal de amigos no fim de semana. Na biblioteca vi que todos os livros estariam exatamente numa mesma seção da Barnes & Noble. Sem dúvida, um casal unido pelo amor devoto a fantasia e ficção científica.

Com o tempo, a graça da geekness alheia diminuiu e fui percebendo como seria ter com meus livros esse tipo de afinidade. Olhar para minhas estantes seria como entrar na casa onde só morasse boa gente, de amizade sem fingimento, desde amantes até cachorrinhos mansos. Mesmo os livros mais ruinzinhos mereceriam aquela afeição que temos pelos amigos meio tolos e medíocres.

Mas não. Nas minhas estantes, essa camaradagem vem sempre cercada de tensão. Eu sei que lá dentro no meio de suas letrinhas serifadas alguns livros me odeiam, outros me desprezam. Entre livros que são mentores, mestres ou heróis, há outros facínoras e abominações. De alguns livros, mantenho as páginas embotadas. Vai que pula uma centelha de consciência, já resolvem logo cortar meus pulsos com o gume do papel. E ainda outros, como os neoateístas, tenho apenas em versão digital. As palavras secretam um ódio que não merece estar em posse da corporeidade física do papel. Os penetras, que ganhei de presente, condeno a serem ocasionalmente folheados por visitantes entediados.

Enfim, penso se não deveria ter uma convivência menos temperamental e cansativa com meus livros. Sei lá. Melhor terminar o post aqui para ir ver se não encontro uma resposta neles.

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